
Fausto Geraldeli assumiu a Secretaria de Saúde de Varginha este ano. Amigos o chamam de "Faustinho", que é médico obstetra e ginecologista formado pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Confira abaixo a quarta matéria da série "SECRETARIADO".
Como o senhor chegou a Secretaria de Saúde?
Trabalho há 20 anos na rede pública de saúde de Varginha. Passei quinze anos trabalhando na maternidade e outros cinco fazendo parte da diretoria do Hospital Regional.
Como explicar a falta da prestação de contas do Hospital Regional?
Foi um erro contábil. Posso afirmar com absoluta certeza que todos os recursos utilizados no Hospital Regional foram usados exclusivamente para serviços de saúde. Não há, em hipótese alguma, a possibilidade que este dinheiro tenha sido desviado para outros locais.
O Pro-Hosp é um programa do Governo Estado e tem como finalidade melhorar a parte estrutural do hospital, reformas, compra de equipamentos e treinamento de profissionais. O valor repassado mensalmente pelo Estado para o custeio do Hospital Regional é de R$ 8 mil. Em contra partida o repasse da prefeitura é de R$ 300 mil mensais.
Posso garantir que toda a prestação do Pro- Hosp III e IV vai ser encaminhada para a Delegacia Regional de Saúde nos próximos 15 dias.
O Hospital Regional vai deixar de receber esses recursos?
Não. Já temos um recurso de R$ 362 mil que será destinado ao Hospital Regional [Pro-Hosp V]. O dinheiro ainda não chegou por questões burocráticas, mas a expectativa é para que nas próximas semanas o dinheiro já esteja disponível.
Como ajudar no custeio do Hospital Regional?
Apenas 10% do Pro-Hosp pode ser destinada para a manutenção do hospital. Vamos tentar que este percentual aumente e fique em torno de 70%.
O Hospital Regional atende pacientes de vários municípios. Isso dificulta a prestação de serviço para a população de Varginha?
A maioria dos pacientes atendidos é de Varginha. Os municípios que mandam pacientes não mandam recursos. Neste caso, o recurso [insuficiente] vem do Governo Federal. Isso gera uma despesa para o município de Varginha.
Além de um médico na prefeitura [Eduardo Corujinha], outros três doutores compõem a Câmara Municipal. O senhor acredita que este fato pode ajudar a resolver os problemas relacionados á saúde no município?
Sim. O fato de conhecer à fundo [a saúde] é o primeiro passo para se fazer as adaptações que precisam ser feitas. Isso ainda contribui para o melhor uso do dinheiro público e repercutir em melhorias para a população.
Em 2008, Varginha registrou seis casos de dengue. O que fazer para que este índice não aumente nos próximos anos?
A dengue é uma das maiores preocupações. Temos 65 agentes trabalhando na prevenção da doença. Varginha tem mosquito transmissor da doença, porém não são contaminados. Todos os casos de dengue registrados foram importados.
O senhor pretende aumentar o número de equipes do Programa de Saúde da Família?
O programa visa a saúde preventiva. Temos dez equipes e a ideia é aumentar para 24. É uma meta que desejamos atingir rapidamente, porém depende da arrecadação do município. A zona rural também deverá ser beneficiada.
Há necessidade de implantar um hospital no bairro Sion?
A construção de uma unidade de Pronto Atendimento no bairro Sion, já faz parte do programa de governo de Eduardo [Corujinha]. Também pensamos em implantar o Serviço de Atendimento de Móvel de Urgência, o SAMU. Para isso, precisamos de recurso do Governo Federal para construção, equipamentos e ajuda no custeio. O cronograma depende do Ministério da Saúde e liberação de recursos. O processo já está em andamento, porém não há data prevista para a construção e implantação desses sistemas.
Varginha não cumpriu a meta de vacinação contra rubéola em 2008. Isso preocupa o senhor?
Preocupa. Toda meta deve ser cumprida, porém faltou uma margem muito pequena para que pudéssemos atingir o sucesso da campanha. Já estão sendo feitas ações para reverter este quadro.
O número de leitos nos hospitais de Varginha é suficiente para atender toda a população?
Temos 226 leitos disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde [S.U.S], nos dois hospitais [Bom Pastor e Regional]. A medida que a população cresce, há necessidade de novos leitos. Sabemos que o aumento de leitos está relacionado com a liberação de recursos por parte do Governo Federal.
Qual a participação do Estado no custeio do Hospital Regional?
Nos últimos cinco anos foram repassados pouco mais de R$ 4 milhões. Para custeio [manutenção] pode ser usado apenas 10 % do valor do programa. O financiamento da saúde é dividido em três partes: Governo Federal, Governo Estadual e Governo Municipal. Temos o repasse efetuado pelo S.U.S, que segundo dados estatísticos está defasado em 60% do valor necessário para cobrir as internações hospitalares. E como há essa defasagem da tabela, há necessidade que o município complemente para que o hospital trabalhe em equilíbrio.
Vale ressaltar que os dois hospitais, o atendimento do S.U.S gira em 90%. Nas Santas Casas de municípios vizinhos o S.U.S corresponde à 60% dos atendimentos. Estamos buscando uma maior participação do Estado na solução da dívida e do custeio do Hospital Regional.
Quais as novidades para este mandato?
Queremos criar o Centro de Reabilitação; a introdução de remédios fisioterápicos na cesta básica de medicamentos [lista de 200 medicamentos disponibilizados]; a construção da Unidade de Pronto Atendimento no Sion; e implantação do SAMU. Vamos capacitar nossos profissionais e levar a saúde também para a zona rural do município.
É possível compartilhar a secretaria e o consultório?
Secretário de saúde é um cargo que necessita de 24 horas de disponibilidade. É possível conciliar o atendimento particular com a secretaria, visto que existe uma equipe técnica de altíssima qualidade e que auxilia o desempenho do secretario no atendimento e na prestação de serviço.
Atualmente trabalho na maternidade e em consultório particular.