Há 27 anos na Polícia Militar, Comandante Cantarino atuou por três anos no comando da ROTAN em Juiz de Fora, de onde é natural. Transferido para Belo Horizonte, trabalhou com a formação de pessoas durante seis anos. Depois executou serviços na diretoria de recursos humanos. Como Tenente Coronel, atuou por dois anos em Sete Lagoas, no 25º Batalhão. “A promoção foi devido ao trabalho realizado em Varginha e em Sete Lagoas”, disse Cantarino em entrevista exclusiva ao Jornal Gazeta.
Balança positiva
Segundo ele sua primeira conquista na cidade foi a redução do índice de violência. “Hoje Varginha, em todo o Sul de Minas, tem as menores taxas de violência”.
Em um segundo momento, o próximo passo foi a conquista da população. De acordo com o Comandante Cantarino, com a divulgação do bom trabalho da Polícia, a população adquiriria confiança na instituição. “Buscamos uma proximidade maior da população para que ela participasse mais ativamente na segurança. Usamos a redução das taxas de violência para buscar a simpatia, e assim começamos a realizar as operações repressivas, com prisão de traficantes e homicidas”. O Tenente Coronel ressaltou que quando acontece um crime na cidade, o cidadão se sente seguro em acionar o 190, porque sabe que sua identidade será mantida em sigilo. “O cidadão faz isso em razão da confiança que adquiriu em nós”.
Diante das conquistas, Cantarino apresentou a terceira sendo a elevação da auto-estima do policial militar. “Somos a unidade que mais treina da Polícia Militar. Este treinamento é em conjunto com a Guarda Municipal, Corpo de Bombeiros, Polícia Civil e Federal e até mesmo com o Exército. Isso propiciou integração total e elevou a auto-estima do nosso servidor”.
Por último, o Comandante apresentou o investimento que o governador e o comando geral da Polícia Militar fez no 24º Batalhão de Polícia Militar. De acordo com ele, quando chegou à Varginha, a unidade recebia mensalmente cerca de R$ 400 mil. E ao sair do batalhão, cinco anos depois, a unidade está recebendo R$ 1,2 milhão. “O Comandante Geral investiu aqui. Este valor é investido no aumento do número de viaturas, viaturas novas, manutenção de viaturas, armamento, equipamentos, treinamento”. Cantarino completou que Varginha recebe R$ 400 mil do total do orçamento atual.
Dificuldade
Tenente Coronel disse que o 24º Batalhão é o terceiro maior da Polícia Militar. Por ser grande, cobra a presença do comando em todos os fatos. Para ele, isso dificulta o atendimento a todos os pontos. “O contato que tenho em Varginha e Três Corações, por exemplo, é maior que o contato com um destacamento mais distante, apesar de transportar para lá os investimentos”.
Cantarino ressaltou que durante os cinco anos a frente do comando do 24º batalhão buscou conquistar a simpatia de todos para que pudesse prestar serviços de boa qualidade. Ele disse que todos os projetos voltados para a população foram concluídos durante seu comando. “Houve a Implantação da companhia tática, que faz recobrimento em todas as cidades do batalhão, Teve a implantação do grupo de motos, que causa um impacto psicológico tremendo. A aquisição de viaturas, para dar condições melhores. Hoje temos seis Blazers novas, viaturas que fazem o patrulhamento rural”.
Quanto aos projetos administrativos, o Comandante afirma que nem todos foram concluídos. “O quartel era para estar todo murado até o fim do ano passado, mas não deu por causa das chuvas. Cerca de 80% das sessões do batalhão foram reestruturadas”.
Outra pretensão do Tenente Coronel era criar um local único de trabalho para a Polícia Militar e Polícia Civil, mas houve obstáculos por parte do próprio governo. “Teve dificuldades em locar ou construir um imóvel. São projetos que necessitam de continuidade e término”. Ele disse que já conversou com o Tenente Coronel Fernando José Oliveira Guimarães, que irá substituí-lo e dará continuidade a esses projetos.
7ª Região de Polícia Militar
Comandante Cantarino anseia levar seus frutos do 24ª Batalhão para todas as unidades da 7ª Região, tais como: queda das taxas de violência, elevação da auto-estima dos militares, conquista da população e conseguir mais investimentos. Segundo ele, a 7ª Região possui índice de violência superior à 6ª Região, a qual faz parte o 24º Batalhão. “Quero levar para aquela comunidade uma paz social bem mais ampla com muito mais participação da população”.
Premiações
O Tenente Coronel já recebeu diversas honrarias, tais como: Medalha do Mérito Militar, Mérito Profissional, Alferes Tiradentes e Medalha da Inconfidência. “O mérito na conquista dessas medalhas é conseguir conciliar a ação transportada por policiais militares nas ruas e que te representam”, disse o Comandante.
Para ele, uma das mais importantes condecorações que recebeu foi o de “Cidadão Honorário de Varginha”. Foi uma proposição do vereador Fernando Guedes, acatada pela Câmara Municipal. “A homenagem me sensibilizou muito e foi um dos motivos que me fez ficar mais tempo na cidade. Se a sociedade varginhense me reconheceu, tenho que prestar o melhor serviço”. Ele também foi homenageado como “Cidadão Honorário de Campo do Meio”, além de outros prêmios de emissoras.
Fato marcante
De acordo com Cantarino, durante seu comando em Sete Lagoas, não houve nenhum assalto a banco. E ele queria manter esta estatística em Varginha. No primeiro ano, o tenente Coronel conseguiu. Porém no segundo, ao se reunir em Boa Esperança aconteceu um assaltou num banco regional de Varginha. E um cidadão denunciou. “Preservamos o local, para que não houvesse tiro no centro da cidade. Saímos de Boa Esperança e bloqueamos as rodovias por Alfenas. Guarnições de Três Corações, Varginha e Três Pontas perseguiram o carro. Eram cinco assaltantes armados em carros possantes e a gente em viaturas velhas, na época. Um Prêmio ano 90, com dois militares, fez com que os assaltantes retornassem porque se sentiram intimidados. O comboio de viatura chegou até eles, momento em que se bandiaram por um cafezal. Assumi a ocorrência junto com todos os oficiais da administração, toda a tropa da região, principalmente de Elói Mendes. E mesmo com as viaturas em estado precário, cercamos a mata, e a imprensa esteve presente. Sem ter dado um tiro, prendemos todos os marginais, recuperamos cinco armas e toda a quantia roubada”. Segundo Cantarino isso gerou imensa sensação de segurança. Durante muito tempo não houve assalto a banco em Varginha.

